A ceia de Réveillon é sempre uma grande oportunidade para reunir família e amigos para receber o ano que está começando. A simbologia dos pratos, os rituais de preparo, a harmonia em volta da mesa farta…  A jornalista Ailin Aleixo pediu para alguns chefs descreverem o que não pode faltar na ceia deles. E na sua?


Não sou religiosa e não me importo muito com Natal, mas a simbologia de recomeço do Ano Novo sempre me pareceu animadora e reconfortante. Se o ano corrente foi bom, torcemos para que continue assim quando o relógio marcar a virada; se foi ruim, esperançosos, torcemos para que os próximos 365 dias tragam mais felicidade do que razões para preocupação. Por isso, sempre curti ceias de Réveillon: a comida alimenta também nossos desejos e aspirações.

Seja cozinhando eu mesma ou indo a algum lugar para curtir a passagem, algumas coisas não podem faltar na minha mesa. Há quem chame de tradição, de superstição – eu chamo de predileção…

  • Saladona rica, colorida, cheia de folhas, sementes, castanhas, queijo de cabra: afinal estamos no verão! A leveza e colorido da estação se traduzem em criações igualmente leves e coloridas.

  • Lichia gelada. Taí uma fruta pela qual perco a cabeça e como bandeja atrás de bandeja: sedosa, delicada, gorducha, suculenta. Afemaria.

  • Vinho branco ou espumante naturais. Eu e meu marido temos o hábito de tomar, todos os anos, algum vinho especial na ceia e guardar a rolha num invólucro de prata até o ano seguinte – é nosso simbolismo pessoal para ‘cuidar’ dos nossos dias com atenção e carinho.

E quanto a você, o que não falta de jeito nenhum na sua ceia de Réveillon? Fiz a mesma pergunta para alguns chefs e confeiteiros. Confira!

Lucas Corazza, confeiteiro e jurado do Que Seja Doce, no GNT:

Uma boa e fresca salada de polvo, acompanhamentos de legumes assados ou grelhados para aguentar todo o resto. Um bom tender, com cortes cruzados e cravo nas intersecções glaceado com mel de jataí e decorado no melhor estilo fios de ovos e cerejas.

Os pratos mais tradicionais e esperados são o Capeletti em Brodo, um brodo grosso encorpado, receita de família da Vó Zu, e o Chester recheado com farofa de fígado e frutas secas.

Na sobremesa, a estrela  sempre é um pavê de frutas frescas.

Luiz Filipe Souza, chef do Evvai:

Não pode faltar lentilha e romã. Não sou muito supersticioso, mas chega nessa época, toda simpatia é bem-vinda. Pareço um doido: colherada de lentilha a meia noite, pé direito no chão, depois separar as sementes pra guardar na carteira (sempre acabo jogando fora ou perdendo depois) e estourar a champanhe (tem que ser champanhe!).

Carole Crema, confeiteira e jurada do Que Seja Doce, no GNT:

Sempre tenho um doce bem fresco que aprendi com dona Wilma Kovesi e me acompanha há 20 anos:  abacaxi recheado com pedaços do mesmo, maria mole, chantilly, amêndoas, coco fresco ralado e decorado com cerejas. Apesar de parecer estranho é delicioso, leve e fresco! Gosto porque tem gosto de saudade… de uma pessoa que me ensinou muitas coisas e me ajudou a ser quem sou hoje profissionalmente.

Bebida é sempre uma caipirinha com frutas de dezembro: amo as uvas niágara bem geladas pois acho que tem gosto de festa!


Fotos: Reprodução Instagram


Ailin Aleixo é criadora do Gastrolândia, o maior e mais influente site de gastronomia e turismo gastronômico do país. A jornalista é também co-criadora do canal #PTDK, no Youtube, dedicado ao jornalismo gastronômico, e palestrante sobre o tema.


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