Por que alguns vegetais são considerados alimentos para nós, enquanto outros não são nem considerados para consumo? Muitas plantas são tidas como sem uso pela população, mas várias espécies podem, sim, servir de alimento e até mesmo apresentar grande valor nutricional. Esses vegetais são chamados de PANCs, sigla para “plantas alimentícias não convencionais”, termo criado pelo biólogo Valdely Ferreira Kinupp.

Quando falamos em PANCs, estamos nos referindo às plantas ou a partes de plantas que podem ser utilizadas na alimentação, mas que não são usadas no dia a dia das pessoas em geral. São os frutos, frutas, folhas, flores, rizomas, sementes e outras estruturas ou partes das plantas que podem ser consumidas pelo homem, tanto in natura como depois de algum tipo de preparo culinário.

A definição inclui, por exemplo, as partes não convencionais de plantas comuns. Essas espécies podem até ser consumidas rotineiramente em algumas regiões, por isso não são consideradas nesses locais específicos como não convencionais. Portanto, podemos dizer que, para ser uma PANC, o contexto em que essa planta está inserida deve ser analisado.

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PANCs na Gastronomia

Fique de olho na hora de escolher o prato nos melhores restaurantes: as plantas alimentícias não convencionais hoje em dia fazem a cabeça dos chefs, levando espécies como beldroega e sálvia-peixinho para os menus. Plantas como bilimbi, flor-de-ipê e peixinho-da-horta também podem ser gratas supresas na sua escolha.

Depois de virar moda na alta gastronomia, estas plantas começam a chegar à mesa do brasileiro. Chefs usaram muito a vitória-régia no preparo de pratos badalados. Outro exemplo é a banana, que tem partes e usos desconhecidos ou pouco comuns. Agora, é possível encontrá-las também nas feiras orgânicas e nos cardápios de vários restaurantes. Também já começam a ser produzidas por grandes empresários e são cobiçadas por donos de grandes estabelecimentos.

Mas nem sempre as coisas foram assim. Antigamente, as plantas alimentícias não convencionais eram consumidas, mas a falta de contato com a natureza que a vida na cidade proporcionou, principalmente a partir do século XX, fez com que esses alimentos fossem esquecidos. Estima-se que o número de plantas consumidas pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos cem anos. Só no Brasil, há uma biodiversidade enorme a ser pesquisada que possui esse potencial – estima-se que o país tenha dezenas de milhares plantas com potencial uso alimentício.

PANCs, o Alimento do Futuro

Prestar atenção às PANCs é também um ato de importância social. De acordo com pesquisadores, para resolver a questão da fome no mundo bastaria aproveitar melhor os alimentos e diversificar o que comemos no dia a dia, colocando fim à nossa monotonia alimentar.

Além disso, o motivo de considerar as PANCs um alimento do futuro é justamente estarem adaptadas ao contexto de cada região, minimizando desta maneira esforços agrícolas e utilização pesada de insumos em sua produção, além de apresentarem sua função ecológica dentro do ecossistema em que se inserem. Que tal começar variando os ingredientes do seu próprio prato, incluindo novos sabores vindo de plantas não convencionais?

 

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